Minha atividade é fazer um resgate comprovando a leitura das postagens e discussões de vocês, queridas colegas até agora, visto minha insuficiente participação semanal. As leituras aos poucos vinha acompanhando, mas realmente não participei como poderia ou deveria, então cabe ressaltar algumas impressões que transpassam o histórico da Educação Especial basicamente naqueles quatro estágios que discutimos:
- Total ausência de atendimento;
- Isolamento dos indivíduos deficientes em suas residências;
- Desenvolvimento de escolas ou classes especiais visando ofertar uma educação “a parte”;
- Inserção destes indivíduos em ambientes escolares como movimento de integração social.
- Vale lembrar que estes quatro estágios aparecem em outras realidades tais como os países europeus, mas não constam na trajetória brasileira.
- A partir da década de 50 é que iniciam movimentos para uma mudança e apenas em 1988 através da Constituição Brasileira é que se assegurou o direito de todos à educação, ou seja, o atendimento está registrado na Lei, mas não na cultura do povo que levou muitos anos para acionar práticas voltadas a inclusão (muito questionada ainda).
Conforme Miranda (2003) há poucos estudos sobre a Educação Especial no Brasil e isto justifica a falta de produções científicas acerca desta temática. A deficiência mental sobressai-se sobre as demais necessidades e o atendimento e entendimento mediante estudos acadêmicos deu-se em âmbito restrito a poucas áreas de atuação.
A célebre história de Victor de Aveyron, na França, conhecido como o Menino Selvagem, é ainda um exemplo de tentativas para um novo olhar como outrora no fórum lembra a colega Zinara quando cita Rubem Alves, mas ainda creio que excluímos nossos gênios bem como fazemos com os nossos idiotas, creio que nossas leituras ainda permanecem longe da práxis... culpa de quem? Falta de tempo, de formação, falta de cumprimento legal, falta de ética ou falta de amor? Pois sim, o que os olhos não vêem o coração não sente, diz a máxima popular. Onde estão nossos surdos que segundo leituras que fiz pude descobrir que 93% dos surdos no Brasil estão fora das escolas? Ou será que timidamente os indivíduos “diferentes” com oportunidades “iguais” de estarem ao nosso lado, decidem ficar escondidos por comodidade aparecendo quando um benefício ou outro pode ser perdido pela falta de entrosamento social?
Tratamos neste fórum (e digo nós porque até um certo tempo pude partilhar convosco minhas idéias) sobre a falta, falta de estrutura física da escola e emocional do professor, falamos da falta de recursos pedagógicos ou especializado enquanto profissionais mais direcionados para cada especificidade, falamos da dificuldade de trocar nossos “edifícios” por “tendas” talvez porque a leveza destas últimas nos façam temer ou nos façam ficarmos inseguros com a instabilidade do ambiente, sim porque somos inseguros. Não queremos pecar contra a criança, quanto ao trabalho que desenvolvemos, contudo pecamos pela omissão que muitas vezes “retira” de nossa sala de aula a criança “diferente” e justificamos nossa tristeza acalentada pelo alívio que a impotência nos dá.
Será que termos acesso aos recursos será suficiente para sermos diferentes e causarmos a igualdade de oportunidades?
"Art. 1o A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma deste Decreto, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública de ensino regular\" (Decreto 6571)
Como cobramos isto? A quem nós clamaremos o devido cumprimento de Leis tão belas, justas e modernas, inclusivas e perfeitas? Pergunto isto tudo porque os questionamentos me fazem perceber respostas que outrora não haviam aparecido.
Trabalho em ambas as redes de ensino de Alvorada e claramente vejo que a municipalização da educação talvez seja uma real saída para este labirinto de Leis, decretos em geral que não são cumpridos. Recebi nestes dias um aluno de doze anos surdo e que sem nunca ter ouvido também não sabe falar, nem gesticula, apenas promove alguns balbucios. A rede estadual até agora não se manifestou. Pela Lei esta criança deve ter atendida a mais básica de suas necessidades que é o contato com sua primeira língua que seria LIBRAS e depois (de um tempo) ser inserido (segundo estudos lá pela quinta série ou sexto ano) no seio do ensino regular tendo o Português como segundo idioma, bem como ofertamos o Inglês ou Espanhol. Entretanto a rede municipal tem convênios com escolas de Porto Alegre que recebem os alunos surdos e lhes ensinam sua primeira língua inclusive ganham passagens para que o custo do deslocamento não seja um empecilho. Políticas diferentes? Adequações diferentes? Gestores diferentes ou o quê?
Outra falha grave que percebo e li em alguns comentários das colegas sobre os transtornos funcionais específicos (dislexia, disortografia, disgrafia, discalculia, transtorno de atenção e hiperatividade, entre outros). Será que sabemos o mínimo necessário para identificar estes problemas? Como encaminhamos estes alunos, mesmo não sendo nós da área médica? Sabemos que muitos problemas visuais são descobertos na escola. Será que se estivéssemos melhor preparados poderíamos amenizar estas “diferenças” que só prejudicam o indivíduo como um todo? Ou ainda, será que poderíamos diminuir rótulos e / ou estereótipos de que o aluno é hiperativo, hiper incomodativo, hiper fracassado???
Sei que nossas discussões têm as melhores intenções possíveis e também percebo que a impotência de ser melhor aflige a quase todas nós. Sei eu a educação precisa de uma reconstrução profunda, precisa de um olhar holístico, precisa ser desfragmentada; sei que a escola é que precisa se adaptar para receber o aluno, mas cabe questionar então quem é a escola?
Queridas colegas Roselana e Sandra, acho que boas notícias posso lhes dar em relação ao “não encaminhamento” do município aos alunos ou sobre a APAE. Ao lado da Secretaria Municipal de Educação está sendo edificado um complexo que contará inclusive com piscina para hidroginástica, salas equipadas e especialistas para atender esta demanda do município. Acho que ainda vai faltar lugar porque creio que muitos indivíduos “escondidos” tenderão a aparecer, mas ainda é uma iniciativa que me deixa muito orgulhosa enquanto moradora e professora daqui deste município. A Coordenadora da CIR, Mariá, tem desenvolvido um brilhante trabalho dentro das limitações que você mesma, Roselana, bem coloca. Há diversos e diferentes tipos de encaminhamentos que são feitos por lá a partir dos diagnósticos feitos pela equipe de profissionais. Muitas vezes a criança não chega na CIR e o encaminhamento não ocorre. Quanto às formações também quero dizer que inclusive agora em junho os gestores das escolas estarão em Gramado para o participar do Congresso Internacional sobre Dificuldades de Aprendizagem e do Ensino, como a inscrição é de R$240,00 e nosso município não dispõe de verba para mandar a todos os interessados ficou acordado que as direções serão responsáveis pela multiplicação de informações que poderão trazer de lá. Muitos cursos são ofertados, mas sei bem que acabamos no problema da dispensa dos alunos ou no cumprimento do calendário, contudo te apóio nas solicitações e presenças (porque já vi muitos colegas que estão apenas de corpo presente nas oficinas ou formações o que é uma pena!). Fui uma das palestrantes (dentro da área de Ciências) no evento de formação da Semana da Educação. Ouvi maravilhas sobre a oficina de Inclusão e queria muito ter estado lá, se você participou acho que seria bem legal este relato.
Para quem chegou até aqui um grande abraço, sei que postagens grandes nos cansam um pouco, mas foi esta a solicitação. Pena não ter podido participar semanalmente, mas saibam que aprendi muito até agora com todas.
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