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Minha Escola

Page history last edited by tatiani roland 2 years, 10 months ago

A Escola onde atuo:

 

     Trabalho na Escola Estadual Maurício Sirotsky Sobrinho, no município de Alvorada. A escola possui cerca de 1.200 alunos e um grupo de professores formado por 37 docentes. A escola atende o ensino fundamental de nove anos, oferece a modalidade EJA à noite também para as séries do ensino fundamental e acaba de ser contemplada para atender, a partir de 2010, o ensino médio em modalidade EJA e regular.

     Minha escola não possui adequações para receber alunos portadores de deficiência. Também não temos uma sala de recurso ou algum profissional qualificado para trabalhar com alunos que apresentem quaisquer necessidades educacionais especiais.

     Há alguns dias atrás, a supervisão da escola iniciou um levantamento dos alunos que apresentam estas necessidades especiais e pediu aos professores que chamasse os pais e verificasse se estes alunos já frequentaram algum médico ou especialista ou se acaso os pais já perceberam que o filho pode estar precisando de alguma ajuda mais qualificada. Foi nos comunicado pela supervisora que a 28 Coordenadoria de Educação solicitou este levantamento porque estaria providenciando uma sala de recursos e um profissional para as escolas que possuissem mais de quinze alunos com tais necessidades.

     Fiz o levantamento em minha turma e creio que os colegas tenham realizado a mesma tarefa, contudo não sabemos ainda sobre a real situação da tal sala de recursos.

     Nas primeiras séries do ensino fundamental temos os seguintes casos:

  • 1 aluno surdo (que não está matriculado na escola e frequenta a quarta série porque resolveu entrar na sala desde o ano passado - sua situação está sendo regularizada agora, mas acreditamos que ele não poderá permanecer na quarta série já que não sabe escrever!);
  • 1 aluno cadeirante, do primeiro ano, que falta muito e fez uma cirurgia há pouco tempo, a cadeira de rodas é pequena demais para seu corpo, a sala de aula não tem uma classe especial para ele e a professora está desesperada porque ele não consegue nem pegar o lápis por ter seus bracinhos atrofiados.
  • 1 aluno do terceiro ano que anda de muletas por uma deficiência nas pernas, mas não apresenta necessidades educacionais especiais, precisa de adaptações na estrutura da escola para sua permanência ser mais prazerosa.
  • Muitos alunos que apresentam um desvio idade série imenso devido ao repetitivo processo de retenção na série que cursa visto suas dificuldades educacionais acentuadas. A escola tem uma turma do Projeto Acelera (Parte do Programa Ayrton Senna) e que visa avançar ao final de um ano crianças de segunda e terceira série diretamente para a quinta série. A professora reclama de algumas limitações que tem.
  • Também temos na escola o Programa Se Liga (Também do Instituto Ayrton Senna) que visa alfabetizar alunos que ainda não sabem ler e escrever, mas que já se encontravam na terceira e quarta séries.

 

     As turmas do Programa Acelera são formadas da seguinte forma: A escola realiza um levantamento dos alunos que apresentam distorção idade / série e que estejam frequentando a 2ª, 3ª e alguns casos da 4ª série. É formada uma turma com no máximo 20 alunos que terão aulas com uma professora que teve capacitação para realizar o trabalho. Os alunos recebem livros e as as aulas devem obrigatoriamente seguir o livro, sem alterações. Não participam de apresentações na escola nem de passeios. Não podem ser atendidos por outro professor que não seja capacitado. Os alunos ao final do ano letivo migram diretamente (em caso de avanço) para a 5ª série. Na escola onde atuo é o segundo ano do Programa.

     A turma do Programa Se Liga ainda não possui resultados para análise porque é o primeiro contato que estamos tendo neste ano. A professora que também trabalha com o 1º ano em outro turno tem a missão de alfabetizar aqueles alunos que já estavam na 3ª e 4ª série e que não sabiam ler, isto mesmo! Aqueles alunos que vão avançando com imensas dificuldades e acabam por estacionar no meio do caminho. A turma é formada com até 20 alunos, a professora recebe capacitação e tem reuniões quinzenalmente com alguém do Instituto. Recebe visitas surpresa das monitoras do curso, tem que trabalhar com a apostila e não pode participar de atividades extra-classe e nem festividades da escola, os alunos não praticam atividades físicas porque o programa não contempla. Pelo relato da colega os avanços têm sido positivos.

 

     A comunidade escolar de forma geral é carente. As condições econômicas de grande parte dos alunos e suas famílias são de baixa renda, especialmente nos casos supracitados de alunos com necessidades especiais que são atendidos. Muitas vezes temos a sensação de que a escola serve como um depósito de crianças ou uma creche. Não ocorrem discussões ou estudos nas reuniões pedagógicas que são quinzenais e duram em torno de 2 horas. As trocas entre colegas ocorrem nos corredores ou por afinidade. Nos emprestamos materiais e trocamos ideias para fazer atividades que deixem os alunos mais satisfeitos. Tenho repassado muita contribuição para minhas colegas através de nossa disciplina.

 

     Em relação à participação dos pais na escola: sempre estão presentes os pais dos bons alunos. Com raras excessões temos a presença dos responsáveis pelos alunos que têm necessidades educacionais especiais ou que precisam receber limites. Parece que os pais têm medo da escola ou não querem participar por descaso. No caso de meu aluno (estudo de caso) levei muito tempo para fazer com que a mãe dele entendesse que não bastava apenas colocar o aluno na escola. Temos nos relacionado bem depois de uma longa conversa. 

 

     Não temos na escola profissional de Orientação Escolar. Há pouco recebemos uma professora que está como supervisora, contudo muitos acompanhamentos são feitos pela vice-diretora. Não ocorre troca de informação entre elas e alguns acertos acabam sendo esquecidos ou cobrados de nós professores sem a ciência da outra parte.

 

     Temos um aluno cadeirante, mas nada de projetos. A escola mandou fazer uma mesa especial para o nosso aluninho cadeirante  que não movimenta também os membros superiores, contudo a mesa ainda não chegou...

Ouvimos boatos da supervisão escolar de que a 28ª CRE (Coordenadoria Regional de Ensino) estaria interessada em fornecer uma sala de recursos para nossa escola, entretanto foram só comentários e nada de real foi apresentado.

 

     Na unidade II tivemos a oportunidade de estudar os documentos que normatizam a Educação especial no Brasil. Não imaginava que existiam artigos, normatizações e outras orientações que contemplassem (na teoria) tantas coisas. Tive contato com a Constituição Federal, Resolução CNE/CEB de 2001, LDBEN. 9394 e ainda o documento Política Nacional de Educação Especial do qual já tinha lido alguns trechos através da Revista Nova Escola e de uma revista chamada Projetos Escolares que assino.

          

     Fico pensando em como seria maravilhosos se apenas uma parte destas decisões fosse aplicada realmente. Alunos recebendo atendimento especializado e não sendo “largados” em salas cheias de alunos e dificuldades. Na Constituição Federal, conforme art. 208 temos: “Atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. Onde no Brasil isto funciona realmente? Depende de quem na verdade?

Na LDBEN no art. 58, parágrafo 1º consta: “Haverá quando necessário serviço de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial” Estou desesperada pedindo ajuda para trabalhar com meu aluno surdo e nem a supervisora da escola leva as coisas como sérias...

No ECA, parágrafo 1º art. 2º é possível ler: “A criança e o adolescente portadores de deficiência receberão atendimento especializado.” Conforme Resolução CNE/CEB nº 2/2001, no artigo 2º, determinam que: “Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.” (MEC/SEESP, 2001), ou seja, a escola deve se adaptar! Concordo com isto, mas não seria mais justo com todos providenciar pessoas especializadas para pôr nas escolas, abriria mão de outros recursos, para isto dá-se um jeito, o problema é que temos muitos avanços na tecnologia, na medicina, na maneira como melhorar a construção educacional de um aluno. Reinventar tudo isto parece um absurdo!

 

 

 

Comments (4)

Simone Ramminger said

at 10:53 pm on May 8, 2009

Tati apresentaste alguns dados da escola onde trabalhas, bem como os alunos com necessidades especiais (NEE) que vocês atendem. Como são formadas as turmas do Projeto Acelera? Sabes como é realizado o trabalho do Projeto Se liga? Podes indicar ainda no teu texto as condições sócio-econômicas das famílias, características da comunidade escolar, participação na escola... Os casos dos alunos com Necessidades Educacionais especiais são discutidos nas reuniões de formação e planejamento da tua escola? Os professores têm alguma orientação do SOE? Existe algum projeto para construção de rampas para receber os alunos cadeirantes?
No texto "História, Deficiência e educação especial", Miranda refere que: "A efetivação de uma prática educacional inclusiva não será garantida por meio de leis, decretos ou portarias que obriguem as escolas regulares a aceitarem os alunos com necessidades especiais, ou seja, apenas a presença física do aluno deficiente na classe regular não é garantia de inclusão, mas sim que a escola esteja preparada para dar conta de trabalhar com os alunos que chegam até ela, independente de suas diferenças ou características individuais". Como acreditas que a tua escola pode se preparar melhor para atender os alunos com NEE?
Precisas ainda integrar o teu relato com os textos da unidade 2 (que estão muito interessantes!).
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE

Simone Ramminger said

at 1:50 am on Jul 3, 2009

Tati observei que acrescentaste informações a tua atividade, respondendo as minhas questões. Ficou muito bom! Mas ainda falta a integração com os textos da unidade 2. Um abraço, Simone - Tutora sede

tatiani roland said

at 10:14 am on Jul 3, 2009

Si querida, ontem a bendita Internet caiu e não voltou. Estou muito cansada e preocupada em não conseguir organizar e postar as coisas todas que tenho, poderia jurar que teríamos o final de semana... Já consta aí os comentários sobre os documentos estudados na unidade II. Bjos e vou adiante.

Simone Ramminger said

at 11:19 am on Jul 3, 2009

Ótimo Tati!!! Tua atividade 2 está ok, completa, com as informações solicitadas e relações com a teoria.
Um abraço, Simone

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