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Fechamento Estudo de Caso

Page history last edited by tatiani roland 2 years, 10 months ago

 

     No texto Atendimento Educacional Especializado - Concepção, Princípios e Aspectos Organizacionais de Denise de Oliveira Alves e Marlene de Oliveira Gotti pude ler muitos tópicos que me interessam nesta caminhada com o trabalho envolvendo as questões de alunos portadores de necessiadades especiais. è importante ressaltar que o próprio texto começa com o art. 205 da Constituição Federal que trata da inclusão e da adaptação que a escola deve promover para receber os alunos que possuem estas necessiadades especiais, contudo o que mais me chama a atenção é a discrepância do que está na Lei e do que é feito na rotina escolar.

     A 28ª CRE (Coordenadoria Regional de Educação) depois de quase um semestre atentou para o fato de eu estar com um aluno surdo em minha sala de aula sem ter as mínimas condições de cumprir a Lei no que diz respeito à inclusão (e me perdoe a franqueza, mas sinto-me  prejudicando uma criança que não pode desenvolver suas habilidades porque a professora não sabe como fazê-lo); inclusão que não representa largar o aluno na escola para ser amado pela professora e adorado pelos colegas, mas que seja a oportunidade de crescimento em todos os âmbitos de sua vida e apresentou uma proposta de capacitação. A proposta é a seguinte: Fui escolhida para participar de um Curso de LIBRAS em Porto Alegre que terá duração de duas semanas nos turnos da manhã e tarde. Uma semana corresponde ao mês de julho e somente no final de agosto a outra semana. São dez dias de capacitação para que eu seja considerada capacitada para o trabalho com meu aluno surdo... Interessante é que a direção da escola ainda salienta que a tal Sala de Recursos só virá par a escola quando a mesma tiver professores capacitados. O que isto significa? Que com dez dias de um curso de LIBRAS já posso trabalhar numa Sala de Recursos? O texto referido especifica muito bem as condições para tal profissional, mas minha reflexão maior vem agora: Minha turma seria supostamente atendida nestes dias se fosse possível (o que significa que teria que recuperar em sábados - onde também estudo na ULBRA- os dias do curso), mas tudo bem, faria se fosse por isto. O curso é em outro município e tenho que me deslocar (de ônibus) sem nenhum auxílio, mas faria a capacitação da mesma forma. Agora, eu trabalho manhã e noite também e não é no Estado, como faria para ser liberada dez dias em duas semanas consecutivas? A resposta vem como um "vire-se", ou seja, não posso fazer este curso porque se não tiver a frequencia não terei qualidade e provavelmente serei cobrada por isto. Também não poderei pedir auxílio porque a 28ª CRE irá argumentar que oportunizou minha capacitação e eu não quis participar. Que coisa mais grave tudo isto! Resolvi então explicar para a supervisora da escola que não poderia fazer o curso e que neste caso a vaga fosse passada para alguma das colegas que darão aula ao meu aluno surdo no ano que vem, visto que o 1º ano não retém alunos. Fiquei preocupada para que a escola não perdesse a vaga do curso e que as professoras do 2º ano trabalham na escola manhã e tarde e bastaria a organização interna para liberar alguma delas para esta capacitação. Mostrei meu calendário de atividades na Secretaria de Educação e falei que semestre que vem terei uma disciplina de LIBRAS pela UFRGS e por isto não ficaria tão chateada. A supervisora entendeu e me apoiou. Nesta semana que acaba a vice-diretora veio saber se estava tudo certo para o curso que começa segunda-feira dia 06-07-2009. Fiquei muito decepcionada. A falta de comunicação da escola promoverá a falta de capacitação de um colega e consequentemente a falta de tudo isto será refletida no ano que vem em meu aluno...

     Onde está o atendimento especializado em minha escola? Não quero parecer que esteja só reclamando, Deus e os viventes a minha volta sabem das dores emocionais e do desgaste que venho tendo com este aluno, buscas incessantes para promover sua inclusão verdadeira, mas faltam recursos cognitivos para que isto ocorra! Penso nele como se fosse meu filho e daí é que me questino: Gostaria que meu filho fosse atendido desta forma? Poderia ser melhor? Por que há Leis se não podem ser cumpridas? Será que vivemos num mundo de utopias? São mais perguntas que respostas que venho colecionando.

     Estava lendo ainda no texto de Alves e Gotti sobre as funções que um profissional do atendimento educacional especializado desempenha especificamente no trabalho com alunos que são surdos. Consta que o profissional deve: 

"Promover o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais-Libras e o aprendizado da Língua Portuguesa, como segunda língua, de forma dialógica, instrumental e como área do conhecimento, por meio do uso de tecnologias de informação, materiais bilíngües, convivência entre alunos; complementar os estudos referentes aos conhecimentos construídos nas classes comuns do ensino regular, considerando os aspectos lingüísticos que envolve a educação. Equipamentos de informática adaptados, softwares específicos, livros didáticos acessíveis em Braille, em Libras, são exemplos de alguns recursos com os quais os alunos e os professores deverão contar. Dessa forma, a transformação dos de sistemas educacionais em sistemas inclusivos representa a possibilidade de combater a exclusão e responder as especificidades dos alunos, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade inclusiva." 

     Imagina como seria ter este apoio e este aprendizado?

     Poderíamos criar uma rede de aprendizagem verdadeira com turmas sendo auxiliadas até para organizarmos um ambiente onde o estudo de LIBRAS servisse para todos. Meu aluno teria com quem conversar e poderíamos ir transformando isto em exemplo para que outras crianças surdas que estejam fora da escola se encorajassem a frequentar este grupo social que é uma obrigação.

     Este estudo de caso me propiciou um encontro mais íntimo comigo e com minhas necessidades especiais... Preciso de tantas coisas ainda para promover o bem que imagino, mas não vou desistir ou deixar-me abater pelas durezas do caminho. Tenho a cada dia estado mais feliz ao lado de meu aluno; nos tocamos mais, nos olhamos mais, já perdi o medo de falar com ele porque sei que ele faz um esforço imenso para me entender. Não o trato como uma criança menos privilegiada, mas como alguém altamente capaz de avançar a passos largos. Estou buscando uma melhoria na vida deste garoto através de incentivo a mãe para que possamos juntas levá-lo a especialistas que podem dizer ao certo o que será daqui para sempre...

     SOU FELIZ E ESTOU REALIZADA POR TER RECEBIDO ESTE DESAFIO.

     Estou desacomodada e instigada à mudança porque tenho minha profissão como algo sagrado. Deixo-me envolver na dor, na fraqueza e na solidão do outro para que o sorriso e a fé de ambos sejam mais bonitos.

     Acredito na Educação.

     Acredito que todos somos especiais.

     E, sinceramente, acredito que algumas pessoas, privadas de algumas potencialidades, aparecem em nossa vida para fazer com que a gente valorize o que há de mais belo que é o prazer de conhecer o novo e mudar... 

 

 

 

 

 

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