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Entrevista com a mãe do VOZ

Page history last edited by tatiani roland 2 years, 10 months ago

 

1 – Com que idade se constatou a surdez no VOZ?

 

A partir dos dois anos.

 

2 – Ele pode falar? Pode emitir sons no caso de poder ouvir?

 

Sim

 

3 – Que tipo de sons ele emite em casa? Gritos, grunhidos ou outros?

 

Gritos, outros sons e às vezes consegue dizer mãe claramente.

 

4 – Quando foi a última vez que ele consultou com um médico sobre a surdez?

 

Novembro de 2006.

 

5 – Algum médico já falou que com algum aparelho auditivo convencional ele pudesse escutar?

 

Não, me passaram somente que faltava um exame mais profundo que só é feito no Clínicas.

 

6 – Você tem os laudos médicos do VOZ? Podemos tirar uma cópia?

 

Comigo só tenho o exame de audiometria, pode pegar a cópia que está na escola.

 

7 – Por que ele nunca tinha freqüentado a escola antes, ele não queria?

 

Sempre quis, só que todas as escolas ficam em Porto Alegre.

 

8 – Como ele se comunica em casa?

 

Ele sabe se comunicar muito bem.

 

9 – Alguém em casa sabe falar em LIBRAS (língua brasileira de sinais)?

 

Não

 

10 – As visitas que ele recebe das meninas da igreja para auxiliar com a comunicação são de quanto em quanto tempo?

 

1 vez por semana, quase sempre.

 

11 – No ano passado ele sofreu um acidente devido à falta de audição, o que mais você já notou que acontece com ele?

 

Nada porque ele se vira muito bem, na verdade o acidente aconteceu devido a imprudência do irmão dele.

 

12 – Como você, enquanto mãe percebe se ele está feliz na escola ou triste? E em casa? Com os amigos da rua?

 

Pelo rostinho dele. Ele chora se está feliz, me abraça e os amigos adoram ele.

 

13 – Ele sai sozinho de casa? Pega ônibus?

 

Não, só anda aqui perto nos amiguinhos.

 

14 – Ele consegue entender as pessoas através da leitura labial?

 

Sim

 

15 – Você já o levou consultar em Porto Alegre como, por exemplo, no Hospital de Clínicas?

 

Não

 

16 – Alguém da família já pensou em colocá-lo numa escola para surdos? O que aconteceu sobre isso?

 

Sim, mas não conseguimos devido a distância e todos os irmãos maiores estudavam.

 

Levaram quase duas semanas para que a mãe do VOZ resolvesse entregar as respostas. Depois de uma longa conversa percebi que ela se acomodou na situação do filho e não acredita que avanços possam ocorrer, mas estamos nos entendendo muito bem e lutando juntas para a mudança no contexto de vida do menino.

     Na entrega de pareceres do trimestre que foi agora no final de junho sentamos e conversamos sobre o VOZ. Falei das expectativas social que os deficientes de alguma necessidade básica já podem ter. Falei sobre seu filho estra crescendo e querer namorar, trabalhar, morar sozinho um dia! Conversamos sobre o fato dele já ter até namorada, a mãe me disse que sai todo perfumado e arrumadinho para vê-la. Conversamos sobre a importância de colocá-lo em situação de igualdade de oportunidades no mundo porque os pais não são eternos e um dia, pela ordem natural, ele ficará dependendo de suas próprias decisões e não oderá sentir-se um "fardo" para os irmãos.

 

     Contei-lhe sobre minhas dores emocionais em perceber que o VOZ pode ir muito além do que os trabalhinhos de um 1º ano e como tenho buscado formas de melhorar minhas aulas para ele. Disse-lhe que esta sala de aula é literalmente um atraso na vida dele porque poderia estar desenvolvendo seu potencial lógico e de linguagem de forma mais expressiva. Ela me entendeu e viu que seu filho pode mais...

 

     Perguntei porque nunca mais voltou aos médicos ou tentou levá-lo à POA para fazer exames mais adequados e ela disse que desistiu. Acha que nada pode ser feito e que ele está feliz indo à escola, namorando e ajudando em casa.

 

     Contei-lhe de minha conversa com um médico do Hospital de Clínicas para onde voltei meus olhos em busca de alguma ajuda. O caso dele é bem complicado principalmente por causa da idade que já é avançada, mas pode ser feito algo.

 

     Combinamos dela conseguir uma consulta no município para pegar um encaminhamento para o Clínicas, daí eu mesma levarei ela e o VOZ para fazermos a consulta e realizarmos os exames. Se nada adiantar vamos procurar uma escola que trabalhe com o idioma LIBRAS e vamos fazer de tudo para que ele seja bem atendido. Talvez seja necessário transferí-lo para a rede municipal, pois os alunos recebem até passagem para estudar em POA numa escola para surdos.

 

     Antes da mãe sair, lhe perguntei se antes dos dois anos ela acha que ele escutava e ela disse que sim e completa: Acho que ele perdeu a capacidade de ouvir por um trauma. Como assim? Perguntei mais esperançosa... A mãe explicou que ele sofria de ataques horríveis de asma e certa vez no hospital tiveram que amarrá-lo para dar a medicação. Um médico que posteriormente constatou a surdez disse que poderia ter sido por isto ou medicação de forma errada, contudo a mãe não tem nenhum outro documento ou laudo médico comprovando isto.

 

     Pedi à ela para colocar algumas fotos dele em meu trabalho e ela adorou a ideia dele estar na "rede".

 

Comments (1)

Simone Ramminger said

at 10:45 pm on Jun 23, 2009

Oi Tatiani!
Onde estão as respostas da mãe do VOZ? Elas devem responder algumas questões das atividades solicitadas. Aguardamos a postagem.
Abraço, Simone - Tutora sede EPNE

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