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Conversa com Professora

Page history last edited by tatiani roland 2 years, 10 months ago

O VOZ tem uma história de entrada na escola um pouco engraçada e preocupante. No ano passado, acompanhando os irmãos que iam para a escola resolveu no início do ano entrar numa sala de aula e estudar. Assim mesmo sem burocracia e nem materais. Escolheu uma turma de quarta série (claro, pois sua idade era próxima daqueles alunos). Como disse ele entrou sentou e foi ficando. Não estava na lista de chamada, não tinha materiais, a mãe não vinha quando chamada, não faltava às aulas e assim foi passando 2008 e ele lá fazendo parte da turma. Chegou a ser o aluno DESTAQUE do Projeto PROERD (Combate e Prevenção ao uso de Drogas da Polícia Militar). Todos na escola o conhecem por "mudinho" e os alunos falam com ele naturalmente numa mistura de gestos e linguagem facial muito marcada.

Neste ano ficou mais de um mês na mesma turma, entrou, reconhceu a professora e ficou...

Fiquei assustada quando vieram me contar que ele seria matriculado na escola e por isto deveria cursar o primeiro ano, para ele deve ter sido um choque pior porque seus companheiros são lá da quarta série. Passado o susto tornei a falar com a professora que trabalha na sala onde o VOZ adotou como sua e o relato da professora foi muito interessante.

A professora descreve que ele era bem bagunceiro na aula e sabia exatamente quando ela estava furiosa. Tinha o caderno com toda a matéria, inclusive textos de história e ciências. Adorava o futebol nas aulas de Educação Física e tentava fazer as atividades em aula sempre olhando o que os colegas faziam.

Depois de tudo isto fiquei pensando, como a escola deve ser algo maior para ele aceitar tar "acomodação" numa turma de pitocos que nem conseguem ainda entender as regras do futebol... Como deve ser duro começar num início que para ele nem é o mais indicado (opinião minha) visto que a Lei lida com indicação de no mínimo dois anos de estudos de LIBRAS para posterior acesso ao ensino regular...

Já a Diretora tem um relato mais apimentado sobre o VOZ. Ela volta e meia me questiona como ele está na sala porque me contou que ele é terrível nos sábados (quando a escola abre para o Projeto Escola Aberta). Contou-me que até vidros da escola ele já quebrou com pedradas e que fazia muitas traquinagens com os meninos do bairro. Parece que agora que a escola também é sua ele está mais calmo.

Enfim, é uma situação ímpar em minha vida profissional e veio justamente num momento em que tenho estudado sobre como fazer com estes casos especiais em sala de aula. O que continua me destruindo é a incapacidade minha de fazer melhor.

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