“Educar na Diversidade pressupõe a adoção de um modelo de currículo que facilite a aprendizagem de todos os alunos e alunas em sua diversidade” (PISTÓIA, 2007)
Avaliação
a) Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?
b) Quais as contradições em relação ao que foi observado?
c) Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?
d) Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?
Para Pistóia (2007): “A direção assumida pressupõe uma escola de qualidade para todos os alunos. As mudanças educacionais exigem que se repense a prática pedagógica tendo como eixos a ética, a justiça e os direitos humanos”.
Quando iniciei a leitura do texto "A Rede de Interações como Concepção Pedagógica: Alternativas no espaço da sala de aulacom alunos em situação de desvantagem" de Pistóia não imaginava, que nesse momento tumultuado de minha vida, mais especificamente após estar trabalhando oito horas do dia na produção e síntese de materiais para este Dossiê, que alguma coisa me faria sorrir. O texto por alguns instantes me fez corar de vergonha quando a autora descreve com perfeição minhas reclamações e angústias. Fico feliz por não ser a única neste universo de dúvidas, contudo fiquei feliz por perceber que as angústias não me deixaram ir para o caminho errado. Não rotulo ou esteriotipo meus alunos como incapazes de aprender e percebi que a maior crítica faço a mim e às minhas faltas que também são abordadas no texto de forma genial.
"[...]Certamente, o enfrentamento como o inusitado e o desconhecido é um
dos fatores que deixam os professores aterrorizados ao se depararem com alunos em situação de desvantagem em sala de aula. Uma das primeiras angústias apontadas por eles é a respeito da falta de qualificação para tratar com este “tipo de aluno” ." Pistóia
Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?
Gostei muito de ler um dos textos de apoio chamado Avaliação e Inclusão Escolar: Desafios, Conflitos e Possibilidades de Christofaril que traz uma série de reflexões sobre a avaliação do “diferente”. Resgata algumas concepções de avaliação que foram e ainda são norteadoras para esta prática (Comenius e La Salle). Este material me ajudou a verificar mais minha prática perante o que Pistoia tão bem elucida em seu texto.
Em relação às aproximações posso destacar alguns pontos altos que me deixaram satisfeita em relação a uma proposta mais elevada e nobre no que diz respeito a avaliação.
“[...] Parte-se do princípio que o professor sozinho não será capaz de garantir a almejada qualidade de ensino. Portanto, ele precisa valer-se de iniciativas no âmbito escolar que se encaminhem para a construção de uma rede de relações sociais e para a inclusão de todas as crianças na escola.” (Pistoia, pg. 04)
Tenho procurado conhecer a realidade de meus alunos para poder ter um envolvimento que permita adaptar os conteúdos curriculares de forma que as estratégias de ensino também possam estar conectadas e promover as tais novas possibilidades de ação. Não é fácil ainda mais tratando-se de meu estudo de caso onde tenho aprendido mais do que ensinado. Mas procuro manter um relacionamento consciente e cheio de perspectivas positivas ao invés de alimentar a angústia e o medo de errar. Vou adequando as situações, se não der certo agora poderá dar certo outra hora.
Um trecho do texto de Pistoia comprova um anseio que venho demonstrando há muito tempo:
“[...], pois não são apenas os alunos em situação de desvantagem que precisam “estar inseridos”, são todos os sujeitos da prática educativa. Todos aqueles que estarão envolvidos nas transformações propostas, no âmbito educativo, buscando incessantemente o conhecimento.” (Pistoia, pg. 12).
Poderíamos refletir sobre os professores que se encontram em posição de desvantagem, talvez até mais angustiante que a própria reflexão dos alunos, pois para os educadores que se importam e sabem de suas responsabilidades a carga de cobrança pela qualidade e satisfação que este aluno terá será imensa. Já o aluno sente-se um campeão pelo fato de vencer este preconceito de ser diferente e estar na escola formando redes de interações. Escrevo isto pensando no meu aluno e em quanto ele demonstra estar feliz na escola.
Outra aproximação é com o que Christofari afirma sobre ser uma das dificuldades do professor na avaliação. Ela diz que o mais difícil é o professor avaliar o aluno tendo-o como parâmetro de si mesmo. Sinto isto. Não sei qual nível de exigência estabelecer, quais desafios são compatíveis com meu aluno e suas limitações e quais destes poderiam fazê-lo desistir. Muitas vezes deixo meu aluno (estudo de caso) seguir com a turma nas atividades por não saber como aprofundar esta relação que temos. Não conseguimos ainda nos comunicarmos de forma efetiva e isto é que me preocupa. Quero conhecê-lo por ele mesmo e não pelos relatos de sua mãe ou irmãos.
Quais as contradições em relação ao que foi observado?
Pistoia cita muito Maturana e ambos tratam de forma acentuada a importância da linguagem para a construção de redes de interação. Talvez esteja aí meu ponto de desvantagem não conseguir manter uma comunicação com meu aluno. Nossa linguagem é rudimentar, não compreendo suas necessidades como deveria e, portanto não consigo ainda fazer as intervenções necessárias para promover esta interação tão desejada.
Segundo Pistoia:
“O linguajar não é uma maneira de transmitir conhecimento ou informação. Ele é em sua constituição uma maneira de coexistência, uma maneira de viver juntos em coordenações recursivas de ações consensuais, de tal maneira que a estrutura dos participantes muda de modo contingente a sua participação nele.”
“Parte-se do pressuposto de que a linguagem é o elemento capaz de favorecer interações,
onde cada um dos seus elementos dispõem de um arsenal de possibilidades que precisa da
interação para ser desencadeada.”
Isto tudo me leva a crer que se eu tivesse a oportunidade de estabelecer uma comunicação mais efetiva com meu aluno certamente poderia fazer com que estes sentimentos de angústias se tornassem oportunidades de desafios. Sinto-me desacomodada e isto é bom, na verdade nada acontece por acaso. Bem no semestre em que curso esta disciplina me aparece o 1º caso de criança com necessidade especial para atender. Pude aprender muito com as leituras e propostas. Acho que contribui pouco visto o que retirei para minha prática, contudo dentro desta rotina insana ainda consigo eleger prioridades que com certeza foi meu aluno, antes ele do que eu.
Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?
Meu aluno tem sua avaliação apresentada através de parecer descritivo, cujo modelo está neste Dossiê. Também temos uma avaliação que vem do Instituto Ayrton Senna com provas das áreas de Matemática, Linguagem e Ciências. As provas são desconhecidas de nós professoras e só as recebemos no momento da aplicação. Contesto muito este tipo de padronização e cobrança dos conteúdos, mas já fora dito que o professor que não se sentir satisfeito com o Programa poderá ir para outra série. Após as provas que duram três dias preenchemos algumas planilhas. Não há em lugar algum onde eu possa informar que meu aluno é surdo e não pode ouvir as explicações das atividades. É constrangedor aplicar estas provas com ele.
Avalio meu aluno também em relação à sua convivência no grupo e compreensão da sua importância no ambiente escolar.
Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?
Através da descrição no parecer posso discorrer e avaliar o aluno de forma mais ampla. Nas provas que resultam em planilhas ocorre uma inverdade de dados porque a necessidade de meu aluno é ignorada e ele consegue avançar nas questões desde que compreenda como o colega ao lado está fazendo ou quando consigo mostrar para ele o que preciso que responda.
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